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Tom Brady: O Que Todo Mundo Sabe — e o Que Quase Ninguém Conta

Tom Brady tem sete títulos de Super Bowl — mais do que qualquer franquia da NFL já conquistou. Essa é a informação que todo mundo sabe. Mas a história que leva até esses sete títulos tem detalhes que não aparecem nos highlights.

Pick 199 — e antes disso, uma opção no beisebol

No draft de 2000 da NFL, Tom Brady foi escolhido na 199ª posição, na sexta rodada, pelos New England Patriots. Seis quarterbacks foram escolhidos antes dele. Nenhum deles tem um Super Bowl.

O que poucos sabem é que Brady poderia ter seguido outro caminho anos antes. Em 1995, os Montreal Expos do beisebol o escolheram na 18ª rodada do draft da MLB. Ele era receptor esquerdo no colegial, jogou 61 partidas de beisebol e era talentoso o suficiente para que o olheiro que o escolheu afirmasse décadas depois que "ele teria chegado ao nível das grandes ligas." Brady preferiu o futebol americano — numa fase em que a carreira como quarterback profissional era uma aposta no mínimo arriscada.

Michigan: titular que disputava o próprio lugar

Na Universidade de Michigan, Brady precisou lutar pela titularidade contra seis quarterbacks antes de chegar à primeira posição no ranking interno. Quando finalmente conquistou a vaga de QB1, o técnico Lloyd Carr decidiu que ele dividiria o tempo de jogo com um calouro chamado Drew Henson — atleta considerado a maior promessa do futebol americano universitário daquele momento, com um contrato milionário do beisebol e um marketing de "próximo grande nome" que precedia suas atuações.

Em setembro de 1999, numa partida contra Syracuse, Brady começou como titular e foi substituído no segundo tempo. Henson entrou, Michigan venceu, e Brady ficou no banco — como titular oficial do time, assistindo o próprio substituto jogar sua posição.

O pai de Brady disse anos depois a uma revista que o período em Michigan "ainda dói. Ele não foi tratado bem pelo técnico." O próprio Lloyd Carr reconheceu que colocou Brady numa situação difícil. Brady terminou seus dois anos dividindo tempo com Henson com 20 vitórias e 5 derrotas como starter. Drew Henson passou dez temporadas nas ligas menores do beisebol sem nunca se consolidar nas maiores.

28 a 3

No Super Bowl LI, em fevereiro de 2017, o New England Patriots enfrentava o Atlanta Falcons. No início do terceiro quarto, o placar era 28 a 3 para Atlanta. A probabilidade estatística de vitória dos Patriots naquele momento era de 0,4%.

O que aconteceu nos 20 minutos seguintes é a maior virada da história do Super Bowl. Brady terminou o jogo com 466 jardas passadas — o maior número registrado por qualquer quarterback em um único Super Bowl —, completando 43 de 62 passes. O Patriots venceu por 34 a 28 na prorrogação, a primeira da história do jogo.

O 28-3 entrou para o vocabulário cultural americano. Virou referência imediata para qualquer situação em que alguém vire uma desvantagem considerada impossível de superar.

Tampa Bay — o capítulo que ninguém esperava

Em março de 2020, após 20 anos no New England Patriots, Brady se tornou agente livre pela primeira vez. Tinha 42 anos. O debate predominante era direto: ele era produto do sistema de Bill Belichick? Conseguiria vencer em outro lugar? Havia terminado?

O que não é amplamente conhecido é que Brady cresceu torcedor do San Francisco 49ers — sua família tinha ingressos de temporada no Candlestick Park, e ele acompanhou a dinastia de Joe Montana e Steve Young de perto. Quando saiu de New England, seu destino preferido era San Francisco: uma chance de encerrar a carreira no time da infância, na cidade onde cresceu. Segundo o jornalista Seth Wickersham, Brady estava pronto para assinar com os 49ers.

A franquia decidiu ficar com Jimmy Garoppolo, que havia levado o time ao Super Bowl meses antes. Disseram não.

Brady foi para o Tampa Bay Buccaneers — uma equipe que passara 12 temporadas consecutivas sem chegar ao playoff, que não levantava um título desde 2002 e que era considerada uma das apostas mais improváveis de qualquer conquista relevante naquele ano. Quando a contratação foi anunciada, o ceticismo era generalizado.

Em fevereiro de 2021, com 43 anos, Tom Brady foi eleito MVP do Super Bowl LV após liderar o Tampa Bay a uma vitória de 31 a 9 sobre os Kansas City Chiefs — os campeões em exercício, com Patrick Mahomes como quarterback. Foi o sétimo título de Brady, o primeiro fora de New England, conquistado numa franquia que ninguém apostava. Garoppolo, naquele mesmo ano, jogou seis partidas pelos 49ers e registrou mais interceptions do que touchdowns.

Brady comentou sobre a decisão dos 49ers de não contratá-lo, com um sorriso: "Vocês escolheram um criador de cabras no lugar de mim" — referência à fazenda que Garoppolo havia comprado. Era uma piada, mas era uma piada com sete Super Bowls de respaldo.

O número que resume tudo

Brady se aposentou em fevereiro de 2023. Recordista absoluto em jardas (89.214) e touchdowns (649). Cinco prêmios de MVP do Super Bowl.

Mas o número que melhor define a trajetória talvez não seja nenhum desses. É o 199 — a posição do draft em que ninguém queria apostas altas num quarterback lento, de universidade, que tinha passado anos disputando o próprio lugar com um colega de time. É o número que está tatuado em toda a história que veio depois.


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