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LeBron James Escolheu o Time que Não Ganha Há 43 Anos

Na manhã de hoje, 24 de julho de 2026, LeBron James — 41 anos, maior pontuador da história da NBA, quatro vezes campeão — assinou com o Philadelphia 76ers por US$ 8 milhões em dois anos. Poderia ter ganho cinco vezes mais em outro clube. Escolheu não fazer isso.

"Não estou indo pelo dinheiro", escreveu nas redes sociais. "Esta é minha última decisão."

Para entender o peso dessa frase, é preciso entender quem são os 76ers. E por que 43 anos de tentativas ainda não foram suficientes.

Fo, Fo, Fo

Em 1982, os Philadelphia 76ers já tinham Julius Erving — o Dr. J, um dos maiores jogadores que a NBA havia produzido. Tinham chegado às Finals em 1977, 1980 e 1982 sem conseguir o título. Então contrataram Moses Malone, o pivô mais dominante da liga, recém-saído do Houston Rockets.

Quando perguntaram a Malone como seria o playoff daquele ano, ele respondeu com três sílabas: "Fo', Fo', Fo'." Quatro vitórias, quatro vitórias, quatro vitórias — varrendo todos os adversários em três rodadas. Um campeonato perfeito.

Não foi perfeito. Mas foi perto. Os 76ers perderam apenas um jogo em toda a campanha de 1983, terminando com 12 vitórias e 1 derrota no playoff. Na final, varreram o Los Angeles Lakers de Kareem Abdul-Jabbar e Magic Johnson em quatro jogos. Malone foi eleito MVP da temporada e das Finals. "Fo, Fi, Fo", ele atualizou depois — mas o anel estava no dedo.

Então começou a espera.

A Teoria e a Prática

Nenhum dos dois caminhos que os 76ers tentaram nas décadas seguintes funcionou.

O primeiro foi Allen Iverson. Chegou em 1996 como primeira escolha do draft, um metro e oitenta e três quilos de insolência pura. Em 2001, liderou um time mediano ao que parecia impossível: nas Finals, contra os Lakers de Shaquille O'Neal e Kobe Bryant — talvez a dupla mais dominante da história da posição —, Iverson marcou 48 pontos no primeiro jogo e venceu em prorrogação. Pisou em cima do defensor derrubado como se o chão fosse seu. O que se seguiu foram quatro derrotas consecutivas. O time era bom demais para perder e pequeno demais para ganhar.

O segundo foi The Process — a estratégia mais radical que a NBA já viu. Em 2013, o gerente-geral Sam Hinkie decidiu que a única forma de vencer era primeiro aprender a perder de maneira intencional e sistemática. Os 76ers desmontaram o time deliberadamente. Perderam 47 jogos na temporada seguinte. Depois 63. Os torcedores assimilaram o slogan como um ato de fé: "Trust the Process." Confie no processo.

O processo produziu Joel Embiid, pivô camaronês nascido na França, de dois metros e treze centímetros, um dos jogadores mais tecnicamente completos das últimas décadas. Produziu escolhas de draft. Produziu esperança — em 2023, os 76ers foram à semifinal de conferência com Embiid no pico de seu jogo. Perderam para o Boston Celtics. Embiid tem 32 anos e nunca chegou à final.

41 Anos e o Último Tiro

O verão de 2026 foi diferente de tudo que veio antes.

Os 76ers contrataram Jaylen Brown, MVP das Finals de 2024, num negócio com o Boston Celtics. E hoje, LeBron James escolheu a Filadélfia como destino da última fase de sua carreira — o jogador que mais pontos marcou na história da liga, que saiu da aposentadoria porque ainda acredita que tem algo a dar.

Ao lado de Embiid e Brown, James forma o elenco mais carregado que os 76ers montam desde 1983.

Moses Malone disse "Fo, Fo, Fo" com a confiança de quem sabe. LeBron James disse "esta é minha última decisão" com a humildade de quem já viu o suficiente para saber que nada é certo.

A Filadélfia está esperando desde maio de 1983. O que muda agora é que não sobra muito tempo para esperar.


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