Links Curiosidades Histórias Bastidores Cultura e Torcida Personagens Outras Modalidades
Imagem

De Banda Universitária ao Maior Show Anual da Terra

O primeiro Super Bowl da história não esgotou os ingressos.

Em 15 de janeiro de 1967, no Memorial Coliseum de Los Angeles, os Green Bay Packers enfrentaram o Kansas City Chiefs num jogo que a maioria dos americanos nem sabia que estava acontecendo. O bilhete mais caro custava 12 dólares. A transmissão estava dividida entre duas emissoras, CBS e NBC, e ainda assim as arquibancadas ficaram com milhares de cadeiras vazias. No intervalo, o entretenimento foi a banda universitária da Universidade do Arizona tocando no gramado.

Ninguém imaginou que aquilo estava começando.

A Subida Que Não Parava

Durante os anos 1970, algo silencioso acontecia nos números. A audiência do Super Bowl saltou de 44 milhões de espectadores em 1970 para 76 milhões em 1980 — um crescimento de 72% numa década em que o beisebol, o esporte historicamente mais popular dos Estados Unidos, crescia 30%. A NFL não estava apenas ganhando fãs. Estava engolindo espaço que pertencia a outros.

Em 1978, um salto surpreendeu até os executivos das emissoras: em um único ano, a audiência foi de 62 para quase 79 milhões. Ninguém tinha visto isso acontecer com um evento esportivo anual.

O marco que define esse período chegou em 1982. O Super Bowl XVI, entre San Francisco 49ers e Cincinnati Bengals, capturou 49,1% de todos os domicílios americanos com televisão ao mesmo tempo. Quase metade de um país sintonizado no mesmo canal, no mesmo segundo. É o maior índice de audiência que um evento esportivo já registrou nos Estados Unidos — e continua sendo até hoje.

Quatro anos depois, em 1986, o Chicago Bears contra o New England Patriots estabeleceu outro recorde: 92 milhões de espectadores. Um número que ficaria sem ser superado por uma década inteira.

O Dia em Que o Intervalo Virou o Show

Havia um problema que a NFL não via enquanto crescia: o intervalo do Super Bowl era o momento em que as pessoas iam buscar cerveja na geladeira.

Em 1992, a Fox — uma emissora rival — transmitiu um especial do programa de humor In Living Color exatamente durante a pausa do Super Bowl. O resultado foi constrangedor: 22% da audiência trocou de canal durante o intervalo. A NFL percebeu que precisava transformar a pausa em espetáculo.

A resposta chegou em 31 de janeiro de 1993.

Michael Jackson subiu ao palco no Rose Bowl, em Pasadena, Califórnia. Emergiu por baixo do palco. Ficou imóvel por 90 segundos enquanto a multidão enlouquecia. Só então começou a dançar.

O que aconteceu nos dados nunca tinha acontecido antes: pela primeira vez na história do Super Bowl, o show do intervalo registrou audiência maior que o próprio jogo. A NFL nunca mais voltou ao formato anterior. O intervalo tinha deixado de ser uma pausa no esporte. Tinha se tornado o segundo espetáculo dentro do espetáculo.

Com o tamanho do palco agora inegável, os anunciantes entenderam onde precisavam estar. Em 1995, o preço de 30 segundos de publicidade durante o Super Bowl cruzou pela primeira vez a barreira de 1 milhão de dólares.

O Maior Palco Esportivo Anual do Planeta

Por décadas, uma questão circulava nos meios especializados em esportes e televisão: qual era o maior evento esportivo anual do mundo?

A resposta era o Super Bowl.

Maior que a final da Liga dos Campeões da Europa. Maior que qualquer decisão do futebol europeu. Maior em audiência global do que qualquer evento disputado anualmente no calendário do esporte mundial.

Isso durou até 2009.

Em fevereiro de 2010, um relatório da empresa de análise Futures Sport + Entertainment foi divulgado com uma conclusão que a imprensa especializada descreveu como "um momento épico nas tendências do esporte televisivo". A final da Champions League de 2009, entre Manchester United e Barcelona, tinha atraído 109 milhões de espectadores em todo o mundo. O Super Bowl daquele ano registrara 106 milhões.

Era a primeira vez que o futebol europeu de clubes superava o Super Bowl como evento esportivo anual mais assistido do planeta.

"O Super Bowl era, tradicionalmente, o maior evento televisivo do esporte de clubes no mundo", disse Kevin Alavy, diretor da Futures Sport + Entertainment na época. "De forma extraordinária, a Champions League está crescendo mais rápido."

Ninguém havia comprado ingresso de 12 dólares para ver aquilo começar em 1967. Levou 42 anos para que outro evento — nascido em outro continente, em outro esporte, em outra língua — chegasse perto o suficiente para ultrapassar.


Siga o @alemdabolaoficial no Instagram para mais histórias que vão além do placar.

Você também pode se interessar por: